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Após mais de cinco décadas desde a última missão Apollo, a humanidade está prestes a retornar à Lua. A NASA confirmou que a missão Artemis II, prevista para ocorrer no início de fevereiro de 2026, será o primeiro voo tripulado rumo ao entorno lunar desde 1972, marcando um novo capítulo na exploração espacial. Embora não inclua um pouso na superfície, a missão é considerada fundamental para preparar o retorno definitivo do ser humano ao solo lunar nos próximos anos.
O programa Artemis faz parte da estratégia da NASA para estabelecer uma presença sustentável na Lua e, no futuro, abrir caminho para missões tripuladas a Marte. Artemis II será a primeira grande prova de que a agência voltou a dominar tecnologias de voo humano no espaço profundo.
Como funcionará a missão Artemis II
A Artemis II será a segunda missão do programa Artemis e a primeira a levar astronautas a uma órbita ao redor da Lua. Diferente da Artemis I, realizada em 2022 sem tripulação, esta missão contará com quatro astronautas a bordo da nave Orion, lançada pelo poderoso foguete Space Launch System (SLS) (“Sistema de Lançamento Espacial”, em português).
A trajetória da missão será do tipo circunlunar, em que a nave faz um grande arco ao redor da Lua — incluindo passagem pelo seu lado oculto (onde o rádio e outras transmissões serão interrompidas por alguns minutos) — antes de retornar à Terra. O voo deve durar cerca de 10 dias, período no qual serão testados sistemas essenciais de navegação, comunicação, suporte à vida e proteção contra radiação no espaço profundo.

O objetivo principal não é científico, mas sim operacional. A NASA quer validar todos os sistemas que serão usados em missões futuras com pouso lunar.
O retorno humano à Lua só é possível graças a duas peças-chave do programa Artemis. O primeiro é o Foguete Space Launch System (SLS), o mais potente já construído pela NASA. Ele foi projetado especificamente para missões de exploração profunda, sendo capaz de transportar cargas e tripulações além da órbita terrestre baixa, algo que foguetes comerciais ainda não fazem de forma tripulada.
E depois temos a Nave Orion, uma cápsula responsável por levar os astronautas com segurança até o entorno lunar e trazê-los de volta à Terra. Ela conta com sistemas modernos de suporte à vida, escudos térmicos reforçados para reentrada atmosférica e espaço suficiente para missões de longa duração.

Antes do lançamento, a NASA realiza uma série de testes rigorosos, incluindo ensaios com combustível real e simulações completas de contagem regressiva. Embora não inclua um pouso, Artemis II é considerada a missão mais crítica do programa até agora. Seu sucesso vai confirmar se a NASA está realmente pronta para enviar humanos novamente à superfície lunar.
Entre os principais objetivos estão:
- Testagem do desempenho humano em voo lunar após décadas
- Validação da comunicação e navegação em espaço profundo
- Avaliação dos níveis de radiação fora da órbita terrestre
- E preparação de procedimentos para missões mais longas
Somente após o sucesso da Artemis II será possível avançar com segurança para a Artemis III, missão que deve levar astronautas novamente à superfície da Lua, possivelmente na região do polo sul lunar, rica em gelo de água. Cada passo dado pelas diferentes missões ajudará a construir conhecimentos valiosos sobre o futuro da exploração espacial.
Tripulação histórica

A tripulação da Artemis II já foi anunciada e representa um marco importante para a história da exploração espacial:
- Reid Wiseman (NASA), comandante da missão
- Victor Glover (NASA), piloto — será o primeiro astronauta negro a viajar ao entorno lunar
- Christina Koch (NASA), especialista da missão — será a primeira mulher a participar de uma missão lunar
- Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense – CSA), especialista da missão — o primeiro canadense a ir à Lua
Além do simbolismo histórico, a composição da tripulação reforça o caráter internacional e inclusivo do programa Artemis, que envolve diversos países parceiros.
Prováveis datas de lançamento (e como assistir ao vivo)
O mês de fevereiro começa cercado de expectativa em torno da missão Artemis II. Antes da decolagem, porém, a agência ainda precisa vencer uma etapa crucial do cronograma: o chamado “ensaio geral molhado”.
O teste, que simula todo o processo de abastecimento do foguete SLS e a contagem regressiva completa, mas sem a ignição dos motores, está previsto para acontecer na segunda-feira (2). A NASA chegou a avaliar a possibilidade de antecipar o procedimento para o sábado (30), mas as condições climáticas no local impediram a mudança, mantendo o planejamento original.
Com isso, a agência atualizou o calendário e informou que a primeira janela possível para o lançamento da Artemis II agora passa a ser o domingo (8), e não mais a sexta-feira (6), como havia sido cogitado inicialmente. A definição da data final, no entanto, depende diretamente do desempenho do foguete e da nave Orion durante o ensaio, etapa considerada decisiva antes de avançar para o lançamento propriamente dito.
Você pode acompanhar todos os testes, atualizações e o lançamento da Artemis II pelo vídeo ao vivo do canal da NASA no YouTube:
Próximas missões

O retorno à Lua não é um fim em si, mas um caminho para ser construído visando objetivos mais ambiciosos. A NASA vê o satélite natural como um laboratório estratégico para testar tecnologias, habitats e sistemas que serão essenciais para futuras missões a Marte.
Além disso, o programa Artemis ocorre em um contexto de corrida espacial renovada, com China e outros países investindo fortemente em exploração lunar. Nesse cenário, a Artemis II representa não apenas um avanço científico, mas também um movimento geopolítico importante.
Conclusão
A missão Artemis II marca o retorno da humanidade ao cenário lunar, encerrando um hiato de mais de 50 anos sem voos tripulados além da órbita da Terra. Mesmo sem pousar na Lua, a missão será um divisor de águas para a exploração espacial moderna.
Se tudo ocorrer conforme o planejado, 2026 ficará marcado como o ano em que a humanidade voltou a olhar para a Lua — não como um objetivo distante, mas como o primeiro passo rumo a uma presença permanente fora da Terra.
Você acha que a humanidade deve investir mais na exploração espacial? O retorno à Lua é um passo necessário antes de chegar a Marte? Deixe sua opinião nos comentários.
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Fonte: Time
Revisado por Tiago Rodrigues em 31/01/2026
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